Eu confesso, sou uma facebookiana! Só não tenho quintas, porque me
fartei delas assim como da maior parte dos jogos que implicam mandar convites
para os amigos para se conseguir isto ou aquilo ou aquel’outro.
Vejo frequentemente aqueles posts “se tens/acreditas/blablabla (…) cola
isto no teu mural” e eles são os que têm os melhores pais e mães do mundo, os
que querem a cura para o cancro…e não me estou a lembrar de mais nenhum, parece
que estes estão no top qualquer coisa.
Sim, eu também quero a cura para o cancro e não é só porque já afectou membros
da minha família e amigos. Eu própria, por motivos genéticos, não estou livre
de apanhar a doença.
Quanto aos melhores pais e mães deste mundo, bem, toda a gente sabe que
os MEUS são os melhores do mundo e eu vou explicar porquê:
Eu já vim a este mundo um pouco atrasada mas, como diz o povo, as
coisas bem feitas levam o seu tempo a fazer.
Bem, verdade seja dita, eu não era esperada. Para resumir a história, o
que aconteceu foi um erro de matemática (lá em casa é mais letras) e vai daí, “ups!!”
A minha irmã já por cá andava há
10 anos, o meu pai tinha 40 anos e a minha mãe 43. Era uma gravidez de risco
por todas as razões e mais alguma: idade avançada, mãe com problemas cardíacos, progenitores
com tipos de sangue incompatíveis, etc., mas mesmo assim a gravidez foi avante.
A minha mãe, católica apostólica romana, dizia “se Deus a mandou, alguma missão
traz com ela”. Curioso, quando eu lhe pedi um mano, ela disse-me a rir que eu
tinha caído do céu aos trambolhões…
A minha pobre mãe teve que ficar de cama ao 4º mês de gravidez, estive
o tempo todo atravessada, esteve no hospital 3 dias até que me resolvi a sair.
Mas não saí de livre vontade! Andavam com ideias de ventosas e ferros e mais
não sei quê e eu às tantas disse: “PRONTO, ESTÁ BEM, EU SAIO! Mantenham essas
coisas longe das… pernas da minha mãe!”
Foram 4,600 kg de poder vocal! Reza a lenda que fizeram uma festa na
maternidade quando eu saí. Finalmente, iam dormir.
E na primeira noite em que fiquei em casa… ninguém dormiu.
Os meus primeiros passos foram no corredor lá de casa em direcção ao
meu pai. Aterrei no meu rabo acolchoado pela fralda e partir daí um outro nível
de desassossego começou. Havia um mundo completamente novo para descobrir… e
todas as portas e gavetas dos armários estavam fechados à chave.
Os meus pais apoiaram-me, castigaram-me, ensinaram-me.
Venceram doenças, estão sempre prontos para ajudar os amigos e a família,
mesmo que sejam eles que estejam a precisar de mais ajuda.
Fizeram 50 anos de casados em Maio e ainda namoram. Actualmente, o meu
pai tem 78 anos e a minha mãe 81 e são ambos bastante independentes. O meu pai
é todo vivaço, anda sempre de um lado para o outro, a pé ou de carro. A minha
mãe está velhinha mas ainda se mexe bem, muito conversadora e adora contar
histórias, causa sempre boa impressão. Do alto do seu 1,50m, diz quem a fica a
conhecer que é muito querida e fofinha… e que eu devo sair ao meu pai.
O meu pai ensinou-me a semear, a colher, a podar, a regar, a cavar, a
subir às árvores, a mergulhar e a nadar à cão, a fazer cimento, a assentar
tijolo, a martelar, a serrar, a trabalhar madeira, a conduzir, a mudar rodas, a
ver níveis de óleo, mudar filtros, verificar e mudar velas, verificar o estado
do distribuidor, a descascar laranjas e até tentou ensinar-me a gostar de favas,
mas foi no que mais falhou.
A minha mãe ensinou-me a fazer cordão em crochet, a cozinhar, a passar a ferro, a
lavar loiça, limpar pó, a tratar da casa. Sentava-se ao meu lado a corrigir os
meus trabalhos de casa e até sabia mais que os professores. Ensinou-me que
Jesus Cristo deu a outra face e que se alguma vez alguém me batesse, que eu me
lembrasse… que não sou Jesus Cristo! Ensinou-me a defender-me. E acreditava em
mim. Se alguém aparecia a dizer que eu tinha batido no filho ou na filha, a
minha mãe perguntava “e o que é o seu filho/filha lhe fez?” Chamava-me e
perguntava se era verdade. Invariavelmente, eu ficava de castigo. Não fazendo
como Jesus Cristo, tivesse ou não razão, eu não podia resolver às coisas à
porrada (porquê???) e lá ficava eu de castigo até aprender que não podia bater
nos outros... mesmo que fossem maiores que eu.
Estão lá sempre por mim.
Sempre estiveram.
E é por isso que os meus pais são os melhores do mundo.
Quando eu for grande quero ser como eles.
2 Cenouras:
adorei ler...mas nao sei se me podes colocar com a lagrima ao canto do olho a uma segunda feira logo pela manha...
parabens pelos pais que tens miga e que Deus tos conserve durante muitos anos...
jinhos turtle
Fantástico, este post! Que Deus os conserve ainda muito mais tempo!!
Beijinhos,
Rita
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