Nem quando era uma pequena maria-rapaz, em que subia às árvores, jogava à bola e ao pião e andava à porrada com os putos da rua (uma infância normal, portanto, para a malta da minha geração, sobretudo para uma menina *cof*), eu cheguei a casa tantas vezes arranhada e com tantas nódoas negras como ando a chegar ultimamente! Por causa dos 16 dias a pedalar nas etapas da Volta a Portugal em BTT que vou fazer em Agosto com a Turtle, Tdi e o Rui Santos (temos que lhe arranjar uma alcunha também), estou a levar a prática mais a sério e a deixar-me de mariquices, aventurando-me em trilhos muito técnicos, tanto a subir como a descer. Demoro é um bocadinho a aquecer, por isso não me ponham no meio de pedras logo que me monto na bicicleta!
Fartos de andar a pedalar na Arrábida e em Sintra, o Rui apresentou-me uma sugestão: um track de 42 km em Belas e mil e poucos metros de acumulado. Já tinha andado a pedalar por ali no ano passado com a Turtle, o Tdi, o Rémi e a Lena, mas desta vez a volta era mais audaz. A geografia da zona não se parece com nada que eu conheça, o "track"já tem uns anos, não sabemos como está agora... era uma boa aventura! Vamos à descoberta!
"Camelbags" com provisões às costas, GPS ligados e siga para bingo.
Reconheci alguns dos percursos iniciais, mas depois começou a mudar. Os trilhos são muito técnicos e com algumas subidas bastante empinadas. Andámos muitas vezes a fazer passeio pedestre com as bicicletas pela mão (o Rui também não conseguia passar montado) e da próxima vez que nos metermos numa aventura destas, vamos levar uma tesoura de podar, daquelas pequenas. Passámos por sítios com silvas mais altas que nós, com pernadas compridíssimas e da grossura de dedos! Trilhos tão fechados, que saímos de lá com os braços todos arranhados (eu ainda andei a tirar picos que ficaram espetados na pele) e nalguns sítios, nem víamos a cor da terra.
Como não podia deixar de ser em terrenos técnicos, caí.
Duas vezes.
A primeira foi a meio do percurso e foi uma "azarelhice", que é uma mistura de "azar" com "aselhice". Desmontei antes de me meter a passar uns regos... aliás, quis desmontar antes, desencaixei os pés e o pé direito voltou a encaixar quando a bicicleta começou a tombar para o mesmo lado. Não perguntem como, mas levei ou com o quadro ou com o pedal em cheio na rótula do joelho direito, fazendo um pequeno golpe. Conseguiu ser pior que a queda que dei na última volta em Sintra, em que ainda rebolei e fui de rojo. Gritei tanto com dores, que parecia que tinha partido alguma coisa. Uma pancada na rótula dói que se farta... até vi estrelas!
Duas vezes.
A primeira foi a meio do percurso e foi uma "azarelhice", que é uma mistura de "azar" com "aselhice". Desmontei antes de me meter a passar uns regos... aliás, quis desmontar antes, desencaixei os pés e o pé direito voltou a encaixar quando a bicicleta começou a tombar para o mesmo lado. Não perguntem como, mas levei ou com o quadro ou com o pedal em cheio na rótula do joelho direito, fazendo um pequeno golpe. Conseguiu ser pior que a queda que dei na última volta em Sintra, em que ainda rebolei e fui de rojo. Gritei tanto com dores, que parecia que tinha partido alguma coisa. Uma pancada na rótula dói que se farta... até vi estrelas!
Depois de uma pausa para recuperar, prosseguimos o nosso caminho e continuei a pedalar apesar da dor. Enquanto fosse a fazer rotação não custava muito, mas evitei fazer subidas técnicas (implicam mais força e, algumas vezes, reflexos rápidos) embora até ali tivesse conseguido fazer bastantes.
A segunda queda já não foi muito longe da estrada que vem ter cá abaixo a Belas e foi um "azaraças", que é um "azar do caraças": Uma pequena subida... uns regos... pedras por todo o lado... e uma rampazinha um pouco estreita ali de lado, mesmo boa para chegar ao terreno plano. Fui directa a ela cheia de ganas, ignorando a dor no joelho, a roda da frente já lá está em cima, a de trás também, eu estou a pedalar como se não houvesse amanhã eeeee.... a roda de trás resvalou, a da frente perdeu tracção e a bicicleta começou a andar para trás, atirou-me ao chão e lá bati outra vez com o mesmo joelho... não sei onde. Numa pedra, se calhar. Desta vez não doeu tanto e, mais uma vez, o "camelbag" às costas fez imenso jeito, já que voltei a rebolar.
Fiquei TÃO frustrada!
Eu sou capaz!!
Eu sou capaz!!
Eu sou capaz!!
Eu sou capaaaaaaaaaahhhhhhh...!!
#&;$%@&;$*#!
Eu sou capaz!!
Eu sou capaaaaaaaaaahhhhhhh...!!
#&;$%@&;$*#!
Grrr...
Ainda fizemos cerca de 43 km em 5h. Estivemos mais umas duas horas e tal parados (almoço, meia-dúzia de cashes, desbravar mato, procurar outros caminhos, pausas). Foi mesmo para fazer na descontracção, treinar trilhos técnicos e ir mesmo à aventura.
A avaliar o estado de alguns trilhos, que, no fundo, eram linhas de água, houve muita água neste Inverno a correr por aqueles montes abaixo, tal era a quantidade de ramos e lixo orgânico acumulados no meio do caminho. Noutros sítios, era notória a falta de respeito das pessoas pelo meio ambiente, transformando muitos locais em depósito de entulhos. Quando não eram as pedras próprias da zona, eram bocados de cimento, tijolos e afins.
A avaliar o estado de alguns trilhos, que, no fundo, eram linhas de água, houve muita água neste Inverno a correr por aqueles montes abaixo, tal era a quantidade de ramos e lixo orgânico acumulados no meio do caminho. Noutros sítios, era notória a falta de respeito das pessoas pelo meio ambiente, transformando muitos locais em depósito de entulhos. Quando não eram as pedras próprias da zona, eram bocados de cimento, tijolos e afins.
O desgraçado do Rui, desta vez, pode dizer que apanhou um valente empeno, pois insistiu em vir atrás de mim durante a maior parte do percurso, para que eu me habituasse a guiar-me pelo GPS e para que escolhesse à vontade o melhor caminho nos sítios mais complicados. Também foi para não me perder de vista no caso de mais alguma queda, mas isso ele não quis dizer para não me desencorajar.
O joelho ainda dói, mas ando bem e hoje até andei aos saltos no ginásio, para horror da minha treinadora. Por incrível que pareça, são as calças a prender os movimentos o que mais me incomoda.
Estou cheia de arranhões nas pernas e nódoas negras nos joelhos, nos braços...e em sítios que não são visíveis, mas que também ficaram magoados.
Agora é continuar. Sinto-me muito mais confiante e arrojada. Tenho é que tomar cuidado com estas quedas... qualquer dia ninguém acredita que estas mazelas são do BTT.
Estou cheia de arranhões nas pernas e nódoas negras nos joelhos, nos braços...e em sítios que não são visíveis, mas que também ficaram magoados.
Agora é continuar. Sinto-me muito mais confiante e arrojada. Tenho é que tomar cuidado com estas quedas... qualquer dia ninguém acredita que estas mazelas são do BTT.

1 Cenouras:
Olá minha linda!
Mais uma vez obrigada pelas tuas sábias palavras ao meu desabafo (dps conto te a parvoíce que foi!
Também tive muita pena de não ter ido jantar naquele dia, mas sabes, por enquanto ainda é um pouco complicado sair e levar a pequena pq tenho de levar uma montanha de coisas cmg (fraldas, toalhitas, leite, biberons, sopa e afins), e naquele dia a minha sogra não podia ficar com elas!
Mas vou falar com a loira e de preferência antes de ela "rebentar" combinamos um jantarinho, boa?
Beijocas grandes
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