sábado, 7 de novembro de 2009

Abandonada?

Não, a Toca não está abandonada.

A Ti Coelha é que tem andado tão ocupada na horta, que não tem tido tempo para se sentar e contar o resto da saga Lisboa-Fátima, tão pouco outras aventuras e desventuras e novidades que gostaria tanto de partilhar aqui.

Neste fim-de-semana, por exemplo, teve que interromper os seus treinos para a nova ida a Fátima (oh sim, vai haver outra, mas os termos e os objectivos vão ser diferentes desta última, depois conto), porque tem que trabalhar no fim-de-semana! Pois é! Manter uma Toca de 20 assoalhadas é dispendioso e todos os troquinhos são bem vindos.

Em principio para a semana, já estarei mais desafogada.

Obrigada pela paciência...

sábado, 10 de outubro de 2009

Raid BTT/Estrada Lisboa - Fátima 2009 - Parte VI - Está quase...!


(continuação)

"Mas como?..."

Estava na bicicleta, com os antebraços apoiados no guiador. O pé esquerdo no chão, a servir de descanso; o pé direito sobre o pedal do mesmo lado, mas sem estar encaixado. Aguardava a minha vez de passar pela passagem ao lado da cancela que se fechou logo que os carros entraram no parque. Vi a Paula a passar e o Manuel a aguardar também que ela passasse. Achei que devia pôr-me em posição, virar a bicicleta para aquela direcção (só um pequeno jeito para a esquerda) para não demorar muito quando fosse a minha vez. Pus as mãos no guiador e levantei o pé esquerdo com intenção de o afastar mais um pouco, abrir o ângulo das pernas por forma a ter mais espaço de manobra. Inconscientemente, fiz força no pé direito e este escorregou e encaixou no pedal.

NÃO!

Parecia que todo o meu peso se tinha transferido para o lado direito. A bicicleta caía para esse lado, puxando o meu corpo com ela. O pé direito, ainda preso, era impossível de soltar. A perna direita estava num ângulo estranho, toda a minha postura era estranha e a bicicleta parecia que me ia partir perna em dois sítios. Tentei sem sucesso endireitar-me, como se fosse possível manter-me fixa apenas equilibrando-me na perna esquerda... De repente, ou assim me pareceu, a gravidade foi mais forte e deu-me um puxão com quem diz: "mas tu cais ou não cais?! Quem é que manda?!" e o guiador, que eu já tinha largado mal me senti demasiado dobrada, ficou de repente muito próximo da minha cara e o meu queixo foi bater com toda a força no punho esquerdo, revestido de borracha.


NÃO! NÃO! NÃO!


"Não é justo! Porra! Que raio de maneira de acabar isto!"

Agarrei o queixo com as duas mãos, com a palma da mão esquerda sobre a direita a fazer pressão enquanto me rebolava com dores no chão. Cerrei os maxilares com força e passei a língua por dentro pelos dentes e fiquei satisfeita por ainda os ter todos inteiros (as coisas que passam pela cabeça de uma pessoa...). A ausência de sabor de sangue na boca era sinal que também não me tinha mordido nem cortado. Menos mal.

Mas aquela dor!! Chorei de dores, de raiva, de frustração e de vergonha. A zona estava cheia de gente! E eu tinha conseguido chegar ali, a tentar fazer orelhas moucas ao corpo que me enchia de nomes pouco simpáticos por não ter querido desistir... não era justo!!

Senti-me a ser rodeada pelos meus companheiros de viagem.
Desembaraçaram-me da bicicleta e alguém se pôs atrás de mim, à minha cabeceira, e gentilmente tirou-me as mãos para o lado. Ouvi a voz da Lili, a nossa enfermeira bttista, dizer-me "deixa ver isso". Senti algo quente a escorrer pelo queixo até ao lóbulo da orelha e ouvi uma série de exclamações. Alguém na assistência perguntou se não se devia chamar uma ambulância. Outra alvitrou que teria que levar pontos. A parte do meu cérebro que ainda conseguia pensar, mas que já não mandava ali nada, quis pôr-me de pé num salto e dizer "não é preciso! Já me sinto melhor!", mas eu não me mexi, acho que só consegui emitir um "hãã??". Mal abria os olhos, não queria ver as caras deles a olharem para mim. Ouvi o Manuel, socorrista de profissão, dizer que tinha steril strips na bagagem e foi a correr buscá-los. Aquilo iria fechar a ferida e eu não teria de ser suturada. Já me agradava mais a ideia.



Foi num instante que fui tratada e me puseram de pé. Enquanto estive no chão ouvi a voz trémula da Alkagoitas a tentar brincar, dizendo "que vergonha, a sujar a Jersey com sangue", uma piada privada nossa. Ela não podia ver, mas eu por dentro ria-me a lembrar-me da situação original que tinha levado àquela piada sobre sujar a roupa em momentos de aflição. A Rute dizia "ai tanto mimo!" e a minha voz cá dentro lançou-lhe um brincalhão "não sejas invejosa!", mas não se conseguiu fazer ouvir. As pessoas que se juntaram ali ficavam de boca aberta com o que se estava a passar. Viam uma no chão a receber primeiros-socorros enquanto os amigos diziam umas piadas e tiravam fotografias. "Loucos!", devem ter pensado. O Nuno sentou-me à sombra perto do edifício onde íamos pernoitar e ficou comigo enquanto uns arrumavam as bicicletas numa arrecadação e outros levavam as malas para as camaratas. Fiz intenções de ir ajudar, mas um conjunto de vozes disse-me "deixa-te estar aí quieta". E eu fiquei, que sou muito bem mandada.



Depois de arrumarem as bicicletas, os cansados bttistas (que segundo já ouvi de alguém, não estavam todos tão cansados quanto isso, havia quem se sentisse qual alface viçosa, capaz de ir até Fátima ainda nesse dia), foram dar um belo mergulho no rio Alviela, vestidos e tudo! Os Vergonhas realmente não fazem por menos, nem deixam as grandes entradas por mãos alheias!



No duche já me senti bastante melhor, tendo cuidado para não molhar o queixo. Tinha receio que os steril strips caíssem e não me apetecia nada ainda ir para o hospital, mas não, colaram-se à pele de uma maneira que acabaram por cair só ao fim de alguns dias, já a ferida estava sarada. Tínhamos ido todas para o balneário e agora tomávamos atenção às marcas no corpo. Eu era a que estava em pior estado, parecia que tinha sido agredida com um pau nas pernas e nas costas, cada nódoa-negra maior que a outra e eu agora era um bocado de barro no torno de um oleiro enquanto ia girando e a Alkagoitas ia passando Trombocid pelas minha mazelas.

Agora estávamos todos lavadinhos, bem-cheirosos e genuinamente esfomeados!

"Cadê o jantar??"

O quê? Eu não perdi o apetite! Estava com um sorriso "à Stallone" por causa do inchaço no queixo e do penso, e isso dificultava-me abrir a boca e mastigar, mas havia de me arranjar. Eu tinha FOME!!



E lá estava a mesa posta à nossa espera! Sopa, esparguete, bifanas, salada, sumos, sobremesa... e muito boa disposição! É preciso muito mais do que 120 km nas pernas e um "desmontar original" para dar cabo do ambiente!

A seguir para "desmoer" o jantar, fomos dar uma voltinha pelo parque (como se precisássemos de mais exercício físico!), que como já disse, tem integrado o Centro de Ciência Viva do Alviela. Embora o Centro estivesse fechado, os circuitos pedestres não estavam e permitiram um passeio perto das grutas habitadas por morcegos. Aliás, parte desse circuito faz parte do Caminho de Fátima.







A boa disposição ainda se sobrepunha ao cansaço (qual cansaço??) e tirávamos fotografias a tudo o que mexia... e ao que não mexia também, não discriminamos nada nem ninguém. Não há palavras que descrevam a figura que fizemos a tentar fotografar pirilampos, (sim, pirilampos - ou caga-lumes - existem! Não são figuras mitológicas dos contos de fadas! Que espanto! *sarcasmo*) mas lá conseguimos qualquer coisita.

Voltámos para as camaratas, o sono já a tomar conta de todos... ou pelo menos, de quase todos. Mais umas massagens aos músculos massacrados, mais umas pomaditas (Mitosyl, Trombocid, Reumongel... parecia uma ala de geriatria...) e chichi - cama...







(continua... e agora sim, para o último post)

Acabei por não conseguir pôr mais pequeno do que isto...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Selinho "Este blog faz-me sonhar"

Fui presenteada esta semana com um selinho da parte de Fátima, do blog diário de uma dona de casa à beira de um colapso..., e passo o desafio que me lançou:




- Diz 7 objectos sem os quais não podias passar (não sou muito materialista, isto vai ser difícil, por isso vou incluir os objectos que não dispenso no meu dia-a-dia);
  1. O meu filofax
  2. A minha caneta de tinta permanente
  3. Os meus óculos de sol
  4. O meu telemóvel
  5. Documentos de identificação
  6. O livro do momento
  7. Cartão multibanco

- Dizer de onde veio o selo (feito!)

- Passá-lo a 5 bloggers.
  1. Pelo sonho é que vamos
  2. Mocho Falante
  3. Bom feeling
  4. Bem-Trapilho
  5. (Re)Cantos

Obrigada, Fátima.
Blog Widget by LinkWithin